Nossa Senhora de Absam, Áustria

No nevoso dia de 17 de janeiro de 1797, a jovem de 18 anos Rosina Buecher estava calmamente costurando à mesa de jantar da família quando sentiu um súbito horror. Seu pai, que estava trabalhando nas minas de sal, veio-lhe imediatamente ao pensamento e ela temeu que ele tivesse sofrido um terrível acidente.

Instintivamente olhou para a janela – e viu algo inesperado: a imagem de uma bela mulher jovem tinha aparecido no vidro da janela que lhe estava próxima. A jovem chamou a mãe, que também viu, e ambas acharam que aquela devia ser a imagem da Santíssima Virgem. Entraram em contato com o pároco da aldeia e alertaram os vizinhos, e todos concordaram que a imagem era um retrato da Virgem Maria.

A mãe de Rosina preocupou-se que a imagem podia ser um mau sinal, mas a própria Rosina tinha a esperança de que seu pai e seu irmão iriam voltar para casa a salvo apesar de sua premonição. Foi o que felizmente aconteceu, e já em casa eles contaram que tinham escapado por pouco de envolver-se em um acidente na mina de sal.

A janela em que se deu o sinal, era feita de vários quadrados de vidro bem escuro. O pároco da aldeia removeu o vidro da janela com a imagem, que estava na parte de dentro da janela dupla. Depois de examinarem o vidro, ele foi enviado a especialistas em pintura e artes em vidro. Eles descobriram que a face desaparecia quando o vidro era imerso em água e outros fluidos, mas reaparecia quando o vidro secava. Eles analisaram o vidro quimicamente, e não puderam descobrir por qual processo a imagem foi colocada ali.

A origem da imagem foi declarada como indeterminada, e tanto o padre como o bispo declararam que a imagem era um milagre.

O vidro foi devolvido à família Buecher mas, a pedido dos aldeões (que diziam “Onde o Filho está, lá deve estar também Sua Mãe”), doaram-no à igreja da paróquia para veneração. Notícias sobre o fato se espalharam rapidamente, e peregrinos começaram a afluir a Absam para rezar diante da imagem.

Logo começaram a acontecer curas milagrosas após orações a Nossa Senhora de Absam. Os que haviam sido curados doavam ex-votos de pequenas pinturas à igreja, a maioria retratando um doente deitado na cama ou um devoto orando, com as palavras ex-voto (“em agradecimento”), a data e uma pequena imagem da aparição, os quais ainda hoje estão guardados e podem ser vistos na capela de ex-votos próxima à igreja.

(Foto: Nossa Senhora da Clemência (ou da Misericórdia) de Absam, Áustria)

Bento XVI e N.Sra. de Absam

No livro Meu irmão, o Papa, Georg Ratzinger diz que Bento XVI tem uma conexão de longa data com a Bem-aventurada Mãe, e que essa conexão começou em um santuário em uma cidade chamada Absam, próxima de Innsbruck, na Áustria. Ele escreve:

“Nele os peregrinos veneram uma imagem de Maria que é bem diferente de nossa Madona Negra de Czestochowa na Polônia, ou de qualquer outra imagem milagrosa da Mãe de Deus em um dos vários locais de peregrinação na velha Europa. Pois é a única no Velho Mundo que afirma ser ‘não feita por mãos humanas’ e portanto comparável somente à tilma de Guadalupe, no México.”

“Mesmo tentativas de removê-lo com jatos de areia ou ácido falharam miseravelmente”, observa o livro, por Georg Ratzinger e Michael Hesemann.

Por fim, a diocese permitiu a transferência do vidro para a Igreja de São Miguel. Ele mede 5x7 polegadas e está entronizado num altar lateral.

Muitos casais se casam ali. Foi assim com um casal de Mϋhlbach, que esteve em Absam em 13 de julho de 1885: Maria Tauber-Peintner e um padeiro de nome Isidor Riegoer — os avós do Papa Bento. Os pais do Papa também se casaram em Absam trinta e cinco anos mais tarde, e de fato os pais do pontífice se conheceram através de um anúncio colocado em uma publicação mariana, o que forma um círculo completo e uma conexão especial entre Nossa Senhora e Bento XVI.

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