Nossa Senhora de Cuapa

A Nicarágua sofreu muito por causas políticas e por desastres naturais. Em meio a tudo isso, a fé católica do povo e seu grande amor a Nossa Senhora foram sua fortaleza. A aparição da Virgem Maria em Cuapa aconteceu em 1980, quando a Nicarágua se encontrava dominada por um governo comunista que fazia o possível para destruir a fé católica. Queriam estabelecer uma "Igreja popular" separada de Roma, o país estava em guerra civil, o sangue corria e a miséria e o ódio se estendiam por toda parte. Nossa Senhora então chama seus filhos a construírem a verdadeira paz.

As aparições de Cuapa foram reconhecidas pela conferência episcopal nicaragüense e o local das aparições é santuário nacional, tendo sido indulgenciado durante o jubileu do ano 2000.

Aqui apresentamos uma tradução da versão em inglês, do relato original do Bispo local.

Nota da versão em inglês: Esta página foi copiada à máquina, de um relatório do Bispo, enviado por fax (site Apparitions of Jesus and Mary) por Carlos Mantica. A cópia estava muito fraca para ser escaneada. Palavras ou letras em parênteses (?) indicam trechos perdidos na cópia do fax.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Eu, Bernardo Martinez, vou contar ao meu Bispo, Mons. Pablo Antonio Vega, sobre os eventos no Vale de Cuapa. Quero obedecer a ele. Eu me submeto a ele em tudo.

Sinal de Luzes

Foi na antiga capela que os sinais começaram, não me lembro a data; provavelmente no final de março. Ao entrar na sacristia eu encontrei uma luz acesa. Então culpei a Sra. Auxiliadora Martinez porque achei que ela a tivesse deixado acesa. Em uma outra data que não me lembro, entrei na capela e encontrei outra luz acesa; provavelmente nos primeiros dias de abril. Então culpei a Sra. Socorro Barea. Não pensei que estes sinais estavam vindo do céu e por isso eu ia discutir com essas senhoras, por causa do custo da eletricidade. Eu queria lhes dizer para terem mais cuidado com as luzes porque temos muito pouco dinheiro. As chaves foram dadas para mim... e sempre a pessoa encarregada das chaves de uma cas é também o que precisa ser o mais cuidadoso. E essa era minha preocupação.

Mas então tentei ir chamar a atenção delas e ir à casa delas para fazer isso... eu não consegui dizer nada. Eu as vi inocentes - intimamente eu podia ver isso - e eu vi que eu as estava culpando sem que elas tivessem culpa. Então pensei em não dizer nada, e se alguma coisa além do mínimo tivesse sido gasto, eu mesmo pagaria.

No dia 15 de abril de 1980, eu vi a imagem toda iluminada. Pensei que eram os meninos jogando na praça, que tivessem quebrado as telhas e que assim a luz entrava sobre a imagem. Também pensei em cobrar deles pelas telhas e pelo custo dos reparos, porque eu já os havia cobrado por isso antes; desde então não havia cobrado de novo. Mas pensei que eles tivessem invadido porque eu moro longe e pensei: "Agora que eu não estava aqui, eles jogaram e quebraram as telhas." Cheguei mais perto para ver, e vi que não havia nenhum buraco no teto; fui para fora para ver se era por causa das janelas que a luz de fora estava entrando e eu não podia ver nada; eu voltei para perto da imagem para ver se alguém havia colocado nela um rosário fosforescente. Eu olhei as mãos, os pés, o pescoço... não havia nada. A luz não vinha de nada, vinha dela, da imagem. Foi um grande mistério para mim, com a luz que vinha dela se podia andar sem tropeçar. E era de noite, quase oito horas da noite, pois cheguei tarde. Então compreendi que era uma coisa estranha... e que não era uma coisa comum, bom, para mim... Eu pensei: "A Virgem Santa, a briga com as pessoas". Eu decidi pedir desculpas para elas, porque fiquei tão emocionado por vê-la tão iluminada... Eu a vi linda... a imagem... agora... Eu não a vejo tanto assim.

Fui tocar o sino da igreja porque cheguei uma hora atrasado, e com o incidente da iluminação ficou ainda mais tarde para a reza do Rosário. Tudo aquilo estava gravado na minha mente e eu pensei: "Vou levar a culpa por isso."

Quando estes pensamentos passavam por minha cabeça, eu me lembrei de uma coisa que minha avó costumava me dizer quando eu era criança: "Nunca seja uma lâmpada na rua e uma escuridão em casa". Compreendi meu pecado: eu queria que os outros fizessem paz, mas eu estava brigando em minha própria casa. Digo isso porque eu havia ajudado a resulver um problema na cidade de Cuapa. Houve uma divisão entre as pessoas porque muitos se opuseram à chegada de cubanos para o programa de educação. Os opositores principais eram os homens jovens que iam ensinar. Eles disseram que poderíamos fazer tudo nós mesmos: professores, estudantes do centro escolástico e voluntários da cidade. Os jovens estavam tão violentos por isso que diziam: "Se o padre deseja que cubanos venham aqui, é melhor que ele volte para a Itália." Mas, pouco a pouco, conversando com o sacerdote nós arranjamos tudo sem violência. Eu digo que nós arranjamos tudo porque nenhum cubano veio a Cuapa para o programa de educação.

Mas na Comarca del Silencio houve um problema com um jovem que ficou doente, e eles tiveram que trazer um cubano para substituí-lo. E no fim o cubano, vendo os pedintes agradecendo a Deus pela comida, disse: "Não digam isso... falem como nós falamos, ''Graças a Fidel que eu comi''". Isso foi uma prova de que nós tinhamos bons motivos para não querer cubanos em Cuapa porque este jovem foi ensinado a colocar o homem no lugar de Deus.

Pensei sobre tudo isso e voltei ao pensamento de que eu podia ajudar a trazer a paz lá, mas em minha própria casa eu não estava fazendo isso. E dessa forma decidi pedi perdão na frente de todas as pessoas. Eu fiz isso. Elas me perdoaram.

Depois do pedido público de desculpas, contei a todas as pessoas que estavam lá, rezando o Rosário, o que eu havia visto: a imagem iluminada. Mas pedi para elas manterem segredo. Isso não aconteceu. O segredo se espalhou por toda Cuapa e eu sofri por causa disso, porque alguns me ridicularizaram.

Uma das irmãs na comunidade foi para Juigalpa e contou ao sacerdote que é também nosso reitor. Assim que ele chegou a Cuapa, ele me perguntou: "Que novidades você tem?" Eu disse que nenhuma e ele insistiu: "Você tem alguma."

Um dia cheguei à casa da Sra. Consuelo Marin e ela me perguntou. Contei a ela tudo o que havia acontecido, e ela me respondeu que acreditava e para eu dizer à Virgem que ela queria vê-la iluminada. Ela me prometeu que eu a faria saber se eu a visse de novo.

O sacerdote, nosso pároco, num outro dia novamente me perguntou e me disse tudo o que haviam contado a ele. Eu lhe disse que sim, que era verdade. Ele me disse para contar tudo para ele. Eu contei. Ele me perguntou o que eu rezei. Eu disse que o Rosário e três Ave-Marias à Virgem Santa, desde que era pequeno. E que minha avó me ensinou a chamá-La sempre quando tinha qualquer problema, dizendo: "Não me deixe, minha Mãe." Ela também me ensinou a dizer:

"É Maria nossa Auxiliadora, doce farol do mar.
Desde que aprendi a amar, Ela é o amor de minha alma.
Ela guiou todos os passos de minha infância,
E por isso, desde minha infância meu amor por Ela permanece."

Ela me ensinou de memória, porque ela não sabia ler. O padre então me disse para rezar e perguntar à Virgem Santa se havia alguma coisa que ela queria de nós, e para Se manifestar mais claramente. Assim eu fiz, mas rezei assim: "Mãe Santíssima, por favor não peça nada de mim. Eu tenho muitos problemas na igreja. Faça seus pedidos a outra pessoa, porque eu quero evitar mais problemas. Eu tenho muitos, no momento. Não quero mais outros." Foi isso o que disse à Virgem Santa.

Com o passar dos dias, as pessoas se esqueceram sobre a iluminação da imagem. Eu, de minha parte, continuei com minha oração como ordenou o padre.

Agora compreendo que foi assim que a Virgem Santíssima me preparou, assim como um fazendeiro prepara a terra. Com aquela confissão pública que fiz diante de meus irmãos... para os quais pedi perdão... Estava havendo uma mudança em mim. Eu mudei; com isso Ela me preparou.

A Primeira Visão

No início de maio, eu estava triste devido a problemas financeiros, problemas no emprego e até problemas espirituais. E me sentia aborrecido. Até mesmo disse de manhã que desejaria morrer. Eu não queria existir. Eu havia trabalhado muito pelas pessoas da cidade e podia ver que elas não gostaram de nada. Eu não tinha vontade de continuar. Na capela eu varri... tirei o pó... lavei as toalhas do altar e as alvas... e por isso mesmo eu era caçoado, era chamado de bobo. Mesmo minha própria família - meus irmãos de sangue - diziam que eu não prosperei financeiramente por causa de meu envolvimento com as coisas na sacristia. Eu me tornei sacristão mas sem ganhar dinheiro por isso. Comecei a trabalhar na casa de Deus desde que fui capaz de usar um pano e uma vassoura... Na época eu era muito pequeno. Fiz isso porque daquela maneira eu servia o Senhor. De qualquer forma, agora em Cuapa tudo estava mudado, porque varrer a capela é uma honra. Agora é uma honra!! As toalhas do altar são lavadas num piscar de olhos; antes que você se dê conta, elas foram lavadas e passadas.

Voltando a como eu me sentia no início de maio, eu mal dormi na noite do dia sete. A noite toda me senti quente e me levantei sentindo esse calor. Comi alguma coisa e disse pra mim mesmo: "Vou ao rio pescar para me sentir mais fresco e tranqüilo." Levantei cedo de manhã com um saco e um facão de mato. Fui para o rio... e me senti feliz... contente... em um ambiente agradável. E não me lembrei de nada. Quando era meio dia não voltei porque sentia tranqüilidade, alegria... e não sentia fome. À uma hora choveu e fui para baixo da árvore; comecei a rezar o Rosário. Quando a chuva ia parando, eu terminava o Rosário. Eu estava todo molhado, minhas roupas todas encharcadas. peguei os peixes que estavam na areia, coloquei no saco, e fui para uma mangueira para ver se as frutas estavam maduras. Então foi para um morro cortar um galho para juntar coyoles. Logo depois, foi para uma árvore de jocotes para pegar jocotes. Então pensei que devia estar atrasado. Olhei para o sol porque não tenho relógio. Para nós no campo, o sol é nosso relógio onde vemos as horas. Era três da tarde. As horas foram como minutos. Disse a mim mesmo: "É tarde." Eu me lembrei que tinha que alimentar os animais e então ir à cidade para rezar o Rosário com as pessoas às cinco. Então saí, dos jocotes em direção à árvore de coyoles, quando de repente vi um relâmpago. Pensei e disse pra mim mesmo: "Vai chover." Mas fiquei espantado porque não havia visto de onde tinha vindo o relâmpago. Parei mas não pude ver nada; nenhum sinal de chuva. Logo depois eu fui para perto de um lugar em que havia algumas rochas. Andei uns seis ou sete passos. Foi quando vi outro relâmpago, mas foi para abrir minha visão e Ela se apresentou. Eu então fiquei pensando se isso poderia ser algo ruim, se era a mesma imagem da capela... Mas eu A vi piscar... ela era linda... A pilha de rochas estava... ela ficou... como se... A nuvem... como se coberta com grama Jaragua. E havia uma pequena árvore de Norisco sobre as rochas e sobre aquela árcore estaca a nuvem. Essa era a altura da nuvem... a nuvem era extremamente branca... e soltava raios em todas as direções, raios de luz com o sol. Na nuvem estavam os pés de uma linda senhora. Seus pés estavam descalços. O vestido era longo e branco. Ela tinha um cordão celestial em torno do peito. Mangas longas. Cobrindo-a estava um véu de uma cor creme pálido com bordados dourados nas bordas. Suas mãos estavam postas juntas sobre o peito. Parecia como a imagem da Virgem de Fátima. Estava imóvel. Não consegui correr para gritar. Não senti medo. Estava surpreso. Pensei e disse: "O que estou vendo? ...Poderia ser a mesma imagem da Virgem que eles... trouxeram e colocaram aqui para mim... A imagem da capela... para brincar comigo porque disse que a vi iluminada... é um truque? Mas não! Eu os teria visto carregando-a." Então passei a mão sobre meu rosto porque pensei que estava vendo um sonho. E disse: "Pode ser que esteja dormindo, mas não tropecei em nada."

E quando removi minhas mãos do rosto, vi que Ela tinha pele humana e que Seus olhos se moveram e Ela piscou. Então disse, em meus pensamentos porque não conseguia mover minha língua -- eu disse: "Ela está viva... não é uma imagem! Ela está viva!" Minha mente era a única coisa que conseguia mover. Eu me senti amortecido, minha mandíbula e minha língua como se estivessem dormindo; tudo imobilizado, como disse, somente as idéias se movendo em minha cabeça. Estava nesse pensamento quando ela estendeu os braços - como na Medalha Milagrosa que nunca havia visto, mas que me mostraram mais tarde. Ela estendeu os braços e de suas mãos emanaram raios de luz mais fortes que o sol.... Ela ficou... Ela deixou as mãos levantadas e os raios que vinham de Suas mãos atingiram meu peito. Quando Ela parou de emitir a luz foi que me encoragei a falar, ainda que gagejando. Eu lhe perguntei: "Qual o seu nome?" Ela me respondeu com a voz mais doce que já ouvi de qualquer mulher, nem mesmo em pessoas que falam com suavidade. Ela me respodeu e disse que seu nome era Maria. Eu vi como Seus lábios se moveram. Então disse: "Ela está viva! Ela falou! Ela respondeu a minha pergunta!" Eu não podia imaginar que pudéssemos conversar, que poderia falar com Ela. Eu então lhe perguntei de onde Ela vinha. Ela me disse com a mesma doçura.

"Eu vim do céu. Sou a Mãe de Jesus."

Ouvindo isso eu imediatamente lhe perguntei -- lembrando o que o sacerdote me havia dito -- eu lhe perguntei: "O que a Senhora quer?" Ela me respondeu:

"Eu quero que o Rosário seja rezado todos os dias."

Então interrompi e Lhe disse: "Sim, nós estamos rezando... O padre trouxe para nós as inteções da paróquia de San Francisco para que nos possamos unir a eles." Ela me disse:

"Eu quero que seja rezado permanentemente, na família... incluindo as crianças que tiverem idade o suficiente para compreenderem... para ser rezado numa hora em que não houver problemas com o trabalho da casa."

Ela me disse que o Senhor não gosta de orações feitas correndo ou mecanicamente. Por causa disse Ela recomendou a oração do Rosário com a leitura de citações bíblicas e que puséssemos em prática a Palavra de Deus. Quando ouvi isso, pensei e disse: "Como?" porque não sabia que o Rosário era bíblico. Foi por isso que Lhe perguntei: "Onde estão as citações bíblicas?" Ela me disse para procurá-las na Bíblia e continuou a dizer:

"Amem-se uns aos outros.
Cumpram com suas obrigações.
Façam a paz. Não peçam a paz a Nosso Senhor
porque se vocês não a fazem não haverá paz."

Depois Ela me disse:

"Renovem os cinco primeiros sábados. Vocês receberam muitas graças quando todos faziam isso."

Antes da guerra costumávamos fazer isso - íamos à confissão e comunhão todo primeiro sábado do mês - mas como o Senhor já havia nos libertado do derramamento de sangue em Cuapa, não continuamos com essa prática.

Então Ela disse:

"A Nicarágua sofreu muito desde o terremoto. Ela está ameaçada com ainda mais sofrimento. Ela continuará a sofrer se vocês não mudarem."

E após uma pequena pausa, disse:

"Rezem rezem, meu filho, o Rosário, pelo mundo todo. Diga aos crentes e não crentes que o mundo está ameaçado por graves perigos. Pedi ao Senhor que abrande Sua justiça, mas, se vocês não mudarem, apressarão a chegada da Terceira Guerra Mundial."

Depois que Ela disse estas palavras, compreendi que eu teria que dizer isto às pessoas e Lhe disse: "Senhora, eu não quero problemas; tenho muitos na igreja. Diga isto para outra pessoa."

Ela então me disse:

"Não, porque Nosso Senhor o escolheu para dar a mensagem."

Quando Ela me disse isso, vi que a nuvem em que estava se levantava, e lembrei-me do quea Sra. Consuelo Marin tinha dito e disse a Ela: "Senhora, não vá porque quero ir contar à Sra. Consuelo porque ela me disse que queria vê-La."

Ela me disse:

"Não. Nem todos podem Me ver. Ela Me verá quando a levar ao céu, mas ela deve rezar o Rosário como pedi."

E depois de dizer isso, a nuvem não demorou mais. Ela ergueu os braços como na imagem da Assunção que vi tantas vezes na catedral de Juigalpa. Ela olhou para cima em direção ao céu e a nuvem A elevou. Como estava em um raio de luz, quando atingiu uma certa distância Ela desapareceu. Então peguei o facão, o saco, e o ramo. Fui cortar os coyoles e pensei em não dizer a ninguém. Em não dizer nada do que tinha visto ou ouvido.

Fui à capela para rezar o Rosário e não disse nada. Quando voltei para caso, me senti triste. Meus problemas aumentaram com aquilo. Rezem o Rosário novamente e pedi à Mãe Santíssima que me libertasse das tentações porque pensei que era isso - uma tentação. Durante a noite ouvi uma voz me dizendo que eu deveria contar. Acordei novamente, e de novo rezei o Rosário. Eu não tinha paz. Não contei a ninguém porque não queria que as pessoas falassem. Já estavam falando porque eu tinha visto a imagem iluminada. Pensei: "Agora será pior. Nunca vou ter paz." Foi por isso que não queria contar a ninguém. E não voltei ao local das aparições. As mangas e jocotes foram perdidos. Fui para o rio, mas por outro caminho. Vou para o rio todo dia para nadar e para dar água ao bezerro que tenho.

Durante este período em que guardei segredo, um grande peso parecia ter caído em mim e eu ouvia algo como uma voz que me dizia para contar. Mas eu simplemente não queria contar. Como o sofrimento era cada vez maior, procurei maneiras de me distrair. Mas nada era uma distração. Procurei meus amigos para me divertir - novos e velhos amigos - mas sempre no meio da diversão eu ouvia a voz e a tristeza voltava. Eu estava ficando magro e pálido. As pessoas me perguntavam o que havia de errado, se eu estava doente. Eu dizia que não. Oito dias assim se passaram.

Dia 16 de maio eu estava indo dar água ao bezerro. Eu estava cruzando o pasto, sem conseguir ver o bezerro. Eu andava com um bastão. Quando estava perto de um Guapinol, já no meio do pasto, com o sol forte como se direto sobre minha cabeça, vi um relâmpago. Era meio-dia. Em plena luz, porque, como disse, era um dia quente e ensolarado, havia uma luz ainda mais forte - mais do que a luz do meio-dia. Naquele relâmpago, Ela se apresentou. Eu A vi da mesma forma que no dia 8 de maio, com suas mãos juntas, e então Ela as estendeu. E ao estender as mãos, os raios de luz vieram em minha direção. Eu fiquei olhando para Ela. Permaneci quieto, mas disse para mim mesmo: "É Ela! É a mesma. A mesma Senhora aparece de novo para mim." Pensei que Ela tinha vindo se queixar por tudo o que Ela me disse para contar. Eu me senti culpado por não ter falado como Ela me pediu da primeira vez, e na minha cabeça eu diss: "Eu não vou ao lugar onde Ela apareceu porque Ela aparece lá, e agora Ela aparece para mim aqui. Que situação, Ela estará me seguindo onde quer que eu esteja." Estava com isso na cabeça, quando Ela me disse com um tom - com sua voz suave - mas com uma entonação como de repreensão:

"Por que você não disse o que lhe enviei a dizer?"

Então respondi: "Senhora, é que estou com medo. Estou com medo de ser o ridículo das pessoas, medo de que riam de mim, de que não acreditem em mim. Aqueles que não acreditarem nisto, vão rir de mim. Dirão que estou louco." Ela então me disse:

"Não tenha medo. Vou ajudá-lo, e diga ao padre."

Dizendo isso, houve outro relâmpago e Ela desapareceu. Então continuei a andar e vi o bezerro que antes não conseguia ver. Eu o levei ao rio, dei um pouco de água, e voltei para casa. Eu me arrumei para ir à capela e então rezei o Rosário.

Pensei em dizer somente para a Sra. Lilliam Ruiz de Martinez para a Sra. Socorro Barea de Marin. Foi o que fiz. Eu tinha mais confiança nelas do que em qualquer outra pessoa na comunidade de Cuapa. Eu as chamai à parte e lhes contei tudo o que tinha visto e ouvido. Elas então me repreenderam. Era a primeira vez que eu recebia uma repreensão sem responder nada, porque sempre tentava me livrar com minhas idéias. E eu resmungava. Prometi a elas que contaria no dia seguinte. Fui para casa e me deitei para dormir. O dia seguinte amanheceu e senti uma alegria estranha. Todos os problemas, como me pareceu, haviam se dissipado. Era dia 17 de maio.

Naquele dia eu contei a todos que vieram a minha casa. Eu lhes contei e eles me ouviram. Alguns acreditaram, outros ouviram curiosos e fingiram acreditar, outros não acreditaram e riram. Mas não me importou. Quando chegou a hora de rezar o Rosário, rezamos e depois eu lhes contei tudo. Novamente notei a mesma coisa: alguns acreditaram, outros não, outros ficaram ouvido maravilhados... espantados... outros, analisando, outros permaneceram em silêncio, outros riram e disseram que eu estava maluco. Cada um de acordo com o que sentia. Mas nada disso era importante para mim. Eu me senti feliz por contar tudo.

Dia 19 de maio fui a Juigalpa de manhã e contei ao padre como a Senhora me havia dito. Contei a ele tudo o que havia visto e ouvido. Ele me escutou. E então me disse: "Seria alguém que quer assustar você naqueles morros?" Eu lhe disse que não. Eu disse, não, porque havia uma possibilidade de fazer isso no rio e nos montes em que havia ido cortar o ramo, mas no meio do pasto, onde passo, não havia como. Nada pode ser escondido. É campo aberto. Então ele me disse: "Poderia ser uma tentação que lhe persegue?" Eu lhe disse que não... não sabia porque podia somente relatar a ele o que havia visto e ouvido; mas com relação a tentação, eu não poderia diser porque não sabia. Ele então me me disse para ir ao lugar onde as aparições ocorreram e para rezar o Rosário lá, fazer o sinal da cruz quando A visse e para não ter medo, porque se fosse algo mau ou bom, nada iria me acontecer. Ele também me disse para não contar a ninguém o que visse ou ouvisse, depois. Mas o que já havia visto, eu poderia contar ao povo de Cuapa.

Esta aparição eu considero uma continuação da do dia 8 de maio, e eu a chamo a da Reclamação.


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