Nossa Senhora do Divino Pranto - 1ª aparição

- Nada mais posso fazer por ela. A medicina já não tem recursos neste caso. Nossa jovem irmã deverá ter ainda algum tempo de vida e... Bem, devo retirar-me agora. Podem chamar-me a qualquer momento, embora a presença de um médico já não possa acrescentar nenhuma esperança.

Dr. Bino, excelente médico, capaz de qualquer sacrifício pelos seus pacientes, retira-se, com expressão de tristeza. Ele não acredita no poder de Deus. Esgotados os recursos humanos, nada mais resta a fazer...

Como estava enganado!...

Era o dia 6 de janeiro de 1924.

Estamos na Comunidade das Irmãs Marcelinas, na Itália, num lugar pitoresco chamado Cernusco sul Naviglio, berço da Congregação.

A religiosa enferma, jovem ainda, é muito simples e humilde. Muito querida por todos. A doença a deixou cega, debilitada, prostrada por tremendas dores, que a tornam cada vez mais fraca. Muitas vezes fica, durante horas e horas, inconsciente, comovendo profundamente aqueles que a cercam.\r\nImersa em tantas dores, o sorriso permanece em seus lábios e ela pode transmitir, às companheiras, serenidade, coragem e paz.

Além de tudo, quanto sofrimento, quanta humilhação lhe trazem certos aspectos da doença

A primeira aparição

Dez e trinta da noite. Na casa religiosa, todas dormem. Na enfermaria, entre outras doentes menos graves, Irmã Elizabeth respira com dificuldade. A enfermeira, ao lado, descansa, mas está atenta às necessidades da Irmã.

Em meio ao silêncio profundo, uma voz se eleva. Admiração em todas as presentes. É Irmã Elizabeth quem fala.

Atônitas, as Irmãs escutam o que ela diz.

Ouçamos nós também.

- Oh! Como a ‘senhora’ é boa! Mas eu tenho uma dor tão grande que nem sei oferecer direito a Deus... Reze a senhora que é tão boa!...

Momentos de silêncio... As Irmãs estão atentas. Elas não podem ouvir a resposta da “senhora” que, no entanto, fala:

- REZA! CONFIA! ESPERA! Voltarei de 22 para 23.

Novamente o silêncio é cortado pela voz de Irmã Elizabeth, que murmura:

- Como a ‘senhora’ é boa!... Vá confortar também as outras, como me confortou. Vá falar com Irmã Teresa, Irmã Amália, e com Irmã Elisa Antoniani, que há tantos anos está doente!

Eis a caridade dos grandes corações. A doente, em meio ao seu profundo sofrimento, pensa na dor do outro. “Vá confortar as outras...”

A boa ‘senhora’ sorri e desaparece.

A Irmã continua cega e cheia de dores. Não percebendo de quem se trata, julga que aquela ‘senhora’ saíra para continuar as visitas.

Na manhã seguinte, as companheiras de quarto comentam:

- Ontem à noite, Irmã Elizabeth não parava de falar, sonhando.

- Não sonhei, falei com aquela ‘senhora’ tão boa que veio nos visitar. Perguntem às outras... Irmã Elisa... pois, decerto, foi lá também.

As Irmãs sorriem penalizadas. Umas protestam, enquanto outras ficam preocupadas. A enfermeira, mulher de coração grande, mas muito enérgica, repreende a Irmã Elizabeth, dizendo:\r\n

- Que pode ter visto você, que está cega há um ano?... Você sonhou, e não invente outras tolices!...

A Superiora, Irmã Hermínia Bussola, transbordante de caridade, vence o seu temperamento contrário a fatos extraordinários. Pensa que a doença da Irmã está invedindo-lhe o cérebro. Cheia de carinho, convida as Irmãs a respeitarem, sem comentários, a doença da companheira, que piorou muito.

Diz, porém, à enferma, com firme delicadeza:

- Sinto que, em vez de progredir na virtude, você vai para trás... Até agora você foi dócil, confiante na palavra de sua Superiora, e agora se mostra tão obstinada... Nosso Senhor não pode estar satisfeito. Quero-lhe muito bem e não a engano. Repito que, aqui em casa não veio ninguém de fora. Você sonhou.

Triste, com os olhos cheios de lágrimas, a enferma apenas balbucia:

- Mas eu a vi... ela falou comigo... disse que vai voltar na noite de dois para três.

A Superiora continua insistindo em que a Irmã não vira ninguém, que deve ter sido um sonho.

Pobre Superiora Hermínia!... Por toda a sua vida teve que lamentar-se de sua incredulidade. Foi, ao invés, no plano de Deus, uma das tantas provas que autenticaram a aparição divina e a primeira apóstola da mensagem de Maria.

Apesar de um dos órgãos afetados voltar a funcionar, a partir daquela noite, nada modifica o pensamento da Superiora, das enfermeiras e das Irmãs. Pelo contrário, convencem-se de que, na realidade, trata-se de uma perturbação cerebral, conseqüência de choque nervoso.

Pouco a pouco, tudo volta ao normal. Ninguém mais dá atenção ao fato. Irmã Elizabeth continua tranqüila em seu sofrimento, encantando a todos com seu sorriso constante.

O mês de janeiro vem aumentar a expectativa da enferma, que anseia por ver novamente a boa ‘senhora’, que tanto a consolou e que prometeu voltar.

Vamos acompanhá-la.


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