Nossa Senhora do Divino Pranto - 2ª aparição

Fevereiro chega, cheio de neve e de frio intenso. Em seu leito de dor, Irmã Elizabeth aguarda mais sorridente o dia 2, quando a ‘senhora’ virá.

Chega, finalmente, o dia tão esperado. Irmã Elizabeth “REZA, CONFIA, ESPERA”. “Ela”, a boa ‘senhora’, voltará. A enfermeira não dorme. Ouve as batidas do relógio e conta as horas. Porém, uma dor, mais profunda que a dor física, vem ferir a pobre Irmã. Aflição, angústia, decepção... A noite passa sem nenhuma novidade. Vem a manhã do dia 3 e ela mal disfarça o choro. A Superiora acorre para consolá-la, pensando que Irmã Elizabeth se preocupa com a doença da própria mãe, ou, talvez, porque ela mesma está com medo de morrer...

- Não, não é nada disso. A doença de mamãe e a minha própria estão nas mãos de Deus...

- E então? – interroga-a a Superiora. – Por quê? Conte-me tudo. Você sabe que lhe quero muito bem. Conte-me o que tanto a aflige!

Um fio de voz, apenas, se faz ouvir:

- Ela não veio... não veio... aquela boa ‘senhora’... Tinha dito: 2 para 3...

A Superiora fica triste. Pensa, novamente, que as faculdades mentais da doente estão sendo abaladas. É inútil tentar convencê-la, consolá-la... O murmúrio continua:

- ...Ela não veio porque eu não fui bastante boa...

A Superiora, calada, se retira, por respeito àquele pobre corpo debilitado, sofrido... A partir desse dia, a doença progride rapidamente. O médico é chamado muitas vezes para tentar amenizar o sofrimento da doente.

Irmã Elizabeth é levada para um quarto ao lado da atual Capela da casa. Há quinze dias, uma paralisia progressiva não lhe permite mais engolir, falar ou movimentar-se. Um único movimento, o agitar da cabeça, revela o sintoma de meningite. Mais uma vez chamado, Dr. Bino, que sempre acompanhou a doente, diz:

- Desta vez, é o fim. Não há nada mais a fazer. A Irmã tem poucas horas de vida.

\r\nJá dissemos ser o referido médico um profissional altamente qualificado, profundamente dedicado a seus pacientes, mas firme no seu ceticismo.

A segunda aparição

Dia 22 de fevereiro... Cai a noite. A enfermeira, Irmã Gariboldi, está velando pela agonizante, em companhia de outra Irmã.

São vinte e três horas e quarenta e cinco minutos. O silêncio profundo reina em todo o ambiente. As duas Irmãs rezam em voz baixa. Pedem a Deus misericórdia para a co-Irmã que sofre tanto. Esperam o fim que, segundo o médico, está muito próximo.

Neste momento, Irmã Elizabeth tem um sobressalto, as Irmãs acodem, pensando que chegou o momento final. Mas aquela, que há quinze dias não fala, grita, agora:

- Oh! A ‘senhora’! a ‘senhora’!

Aquela que não vê há mais de um ano, volta a olhar em direção à Capela, olhando imediatamente para o lado oposto.

- Ah! A ‘senhora’, a ‘senhora’!

Trêmula, Irmã Gariboldi convida a outra Irmã a ajoelhar-se e murmura:

- Se for a Senhora, levá-la-á consigo!

Irmã Elizabeth, que há dias não pode mover-se, está sentada na cama, mãos postas, olhar fixo num determinado ponto, rosto erguido. Sem nada entender, as duas expectadoras admiradas ouvem novamente:

- Oh! A ‘senhora’!

...silêncio...

- De 22 para 23? Pois eu havia entendido de 2 para 3. E era 22 para 23!...

De repente, Irmã Elizabeth se ergue um pouco mais e sua atitude é de espanto quando diz:

- Mas, ‘senhora’... a ‘senhora’... é... Nossa Senhora! É Nossa Senhora!!!...

...pausa...

- Oh, Nossa Senhora... Nossa Senhora com o Menino... mas, a criança... (Irmã Elizabeth torna-se triste. Parece chorar.) A criança chora, o Menino chora. Chora por minha causa? Chora por meus pecados? Chora porque não O amei bastante?...

O que Irmã Elizabeth vê, nesse momento, é o Menino nos braços de Sua Mãe, com seu rostinho erguido, a olhar o rosto materno. Umas das mãozinhas pousa sobre a mão de Maria. Sua longa veste branca perde-se no manto da Virgem. De Seus olhos meigos rolam duas grossas lágrimas. As Irmãs presentes nada ouvem, mas começam a perceber que algo extraordinário está acontecendo neste mesmo instante. A Senhora responde:

- Não. O Menino chora porque não é bastante AMADO, PROCURADO, DESEJADO, também pelas pessoas que lhe são consagradas... Tu deves dizer isto!!!

Irmã Elizabeth ainda não percebe a missão que a Senhora lhe confia. Diz, então:

- Oh! Nossa Senhora, leve-me ao Paraíso!

Mas a resposta imediata da Senhora se faz ouvir:

- Deverias ir, mas agora precisas ficar, para dizer isto.

Finalmente a Irmã compreende, pensa em sua pequenez e fica assustada:

- Nossa Senhora, sou a última de todas, não sei nada, nem sei mais falar, quem me acreditará?

Mais tarde, Irmã Elizabeth contará que, nesse ponto, muito preocupada por não poder conciliar o desejo da Virgem com sua incapacidade intelectual e física, teve a impressão de estar ainda muda e agonizante. Vivendo instantes de aflição e angústia, vê uma luz muito intensa que lhe ofusca a visão e diz:

- Oh! Nossa Senhora, dê-me um sinal.

Nesse momento a Virgem sorri, carinhosamente, mas sempre triste. Inclina-se um pouco e diz:

- Devolvo-te a saúde.

E desaparece, com Seu Menino. Uma terrível dor física toma conta de todo o corpo da Irmã, por um instante.

- Se a dor durasse mais tempo, eu teria morrido, tão forte era ela. – foi o que narrou mais tarde.

Cessando a dor, a Irmã salta da cama, revitalizada e sentindo um grande bem-estar. Às Irmãs que a assistiram, trêmulas, confusas, comovidas, grita:

- Sarei! Sarei! Nossa Senhora curou-me!

Algo divino e profundo toma conta da casa religiosa. Alguém se lembra de chamar a Superiora que acorda ouvindo apenas:

- Venha! Venha!

Atordoada, sonolenta, sem saber o que se passa, a Superiora penetra no quarto de Irmã Elizabeth, pensando encontrá-la a exalar o último suspiro. Ao invés disso, vê a doente luminosa, de olhos radiantes. Irmã Elizabeth corre a abraçar a Superiora, exclamando:

- Superiora, Superiora, Nossa Senhora curou-me e mandou-me dizer que Jesus chora porque... porque... não é bastante AMADO, PROCURADO, DESEJADO, também pelas pessoas que Lhe são consagradas!

Mais tarde a Superiora contou que Irmã Elizabeth falou o tempo todo com voz muito trêmula, como se tivesse medo de não se lembrar, mas, quando pronunciou as palavras: AMADO, PROCURADO, DESEJADO, falou claramente, com firmeza, como quem faz uma entrega preciosa e dela se liberta.

Irmã Elizabeth, ao lado da Superiora, muito emocionada, diz:

- Superiora, que lágrimas.. que lágrimas enormes... pobre Jesus!

E, através de gestos, mostra o tamanho e o caminho das lágrimas.

É sábado! Depois de todos esses acontecimentos extraordinários, Irmã Elizabeth sente fome. Pede o que comer. Recebe um pedaço de pão e come-o com apetite. Convidam-na a ir deitar-se, pois já é alta madrugada.

- Madrugada, agora? Com essa claridade toda? Já não é dia?

Os olhos, que há tanto não viam a luz do sol, extasiam-se com a luz celestial.

Pouco a pouco, o silêncio habitual vem chegando. As Irmãs voltam ao repouso. Irmã Elizabeth não retorna ao leito. Julgando-se fora do alcance dos olhos das outras, entrega-se à oração. Reza sem parar, até pela manhã. Transfigurada, mãos postas, o olhar fixo no local que a Virgem abençoara com sua presença, sai de seus lábios uma oração profunda, por toda a humanidade. Ninguém ousa interrompê-la. É uma cena de Paraíso. Uma Irmã, que a presenciou, confessou mais tarde, haver chorado copiosas lágrimas, tal sua emoção em poder ver e sentir a humilde santidade da co-Irmã.

No dia seguinte, domingo, o fato é narrado e reaviva-se a Fé de quantos conhecem a enferma recém-curada. Irmã Elizabeth, quase escandalizada com tanto movimento a seu redor, perturbando sua habitual simplicidade, repete:

- Que é isso? Quanto barulho! Santa paz! Não há nada de extraordinário em Nossa Senhora devolver-me a saúde. Ela pode fazer isto e muito mais. Ela sabe fazer coisas maravilhosas!...

E, dizendo isto, trata de escapar daquele entusiasmo que ela não pode entender e que tanto a molesta. “Bem-aventurados os mansos e humildes de coração”...


Vídeo da celebração dos 90 anos da aparição de Nossa Senhora do Divino Pranto:


Veja também:
Nossa Senhora do Divino Pranto - Cernusco sul Naviglio, Itália
Aparição de Nossa Senhora a Irmã Elizabeth, religiosa Marcelina Compartilhe: