Fátima, 13 de setembro de 1917

Vinte mil peregrinos na Cova da Iria

O número de devotos de Nossa Senhora de Fátima ia aumentando dia a dia. Na Cova da Iria, os devotos se comportavam como se estivessem na igreja, ajoelhando-se quando lhes era possível, e os homens descobriam a cabeça para rezar. Com grande dificuldade, as crianças passaram pela multidão para chegar ao pé da azinheira. No caminho, gente do povo e até senhoras e cavalheiros caíam de joelhos diante deles, pedindo-lhes que apresentassem à Senhora suas aflições.

- Pelo amor de Deus, peçam a Nossa Senhora que me cure o meu filho que é aleijadinho!

- Que me cure o meu que é cego!

- O meu que é surdo!

- Que me traga meu marido, meu filho, que anda na guerra.

- Que me converta um pecador!

- Que me dê saúde que estou tuberculoso!...

Ali apareciam todas as misérias da pobre humanidade. Alguns gritavam até do alto das árvores e muros, para onde subiam a fim de ver os videntes. E as crianças haviam apenas visto a Mãe do Salvador. Como não terá sido nos caminhos de Israel, quando Nosso Senhor andava pelo mundo?

(Foto: Jacinta, Lúcia e Francisco)

Chegados à azinheira milagrosa, Lúcia começa o terço, e toda a gente a segue na oração. Agora a Cova da Iria transformava-se num grande templo cuja abóbada era o Céu. Dá-se o relâmpago. Um globo luminoso que todo o povo vê, move-se do nascente para o poente, deslizando lento e majestoso. Acontece então uma chuva de pétalas coloridas, que desaparecem antes de chegar ao chão; o sol escurece a ponto de deixar ver as estrelas; uma aragem fresca suaviza os rostos escaldados. Tudo causa assombro e alegria. De todos os lados se ouvem brados de louvor à Virgem Santíssima, que mais uma vez vem manifestar seu poder e misericórdia.

- Que é que Vossemecê me quer?

«Continuem a rezar o terço a Nossa Senhora do Rosário, todos os dias, para alcançarem o fim da guerra.»

E novamente recomenda que não faltem no dia 13 de outubro, em que virá São José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo, Nosso Senhor para abençoar o povo, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo. Depois de um curto silêncio, a Senhora acrescenta:

«Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.»

Desse modo, foi corrigido o excesso de mortificação ao qual as crianças se submetiam.

- As pessoas me têm pedido para pedir muitas coisas. Esta pequena é surda-muda. Não a quer curar? - e Lúcia acrescenta os muitos outros pedidos de que se lembrava.

«Alguns curarei, outros não, porque Nosso Senhor não se fia neles.»

- O povo gostava de ter aqui uma Capela.

«Empreguem metade do dinheiro, que até hoje têm recebido, nos andores, e sobre um deles ponham Nossa Senhora do Rosário, a outra parte será destinada a ajudar a construção duma Capela.»

- Há muitos que dizem que eu sou uma intrujona, que merecia ser enforcada ou queimada. Faça um milagre para que todos creiam!

«Sim, em outubro farei um milagre para que todos acreditem.»

- Umas pessoas deram-me duas cartas para Vossemecê e um frasco de água de colônia.

«Isso de nada serve para o Céu.»

E começou a elevar-se até desaparecer. Parte da multidão viu novamente o globo nevado.

Obs.: este texto foi composto por meio de pesquisas em vários livros sobre Nossa Senhora de Fátima. Por favor: se for reproduzi-lo, indique o endereço desta página como fonte. Obrigada!


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